Mountain Biking Memorável
(Contribuição Especial do Marcelo Milone)

Quando eu saio para pedalar e você acha que estou indo num ritmo razoável, nem muito fraco mas também não muito forte. Você vai acompanhando. O problema é que horas e horas vão passando e eu não paro. Quilômetros se acumulam no seu “cateye” enquanto eu, mentalmente desarranjado, continuo. Depois de 100 quilômetros sempre alguém pergunta se não dá para parar um pouco. Eu respondo: “Agora só faltam 40 km vamos direto”.
Mas isso sou eu.
Tem um outro pessoal, incluindo um mineirinho, um japonês e o Almeida. Saem de casa falando em pedalar e fazem a peregrinação por bares e botecos das estradas. Em cada um deles uma parada para saber se a cerveja tá gelada. Passeios de poucos quilômetros levam horas.
Tem um velho nervoso, cujo lema é “é muito fácil conviver comigo, é só ficar longe”. Ele me convida para um passeio, combina tudo nos mínimos detalhes (desde o que levar, a distância exata a ser percorrida – incluindo os centímetros – o momento exato em que as paradas para descanso irão ocorrer, com margem de erro de 3 segundos, coisas assim). No dia e hora combinada, apareço, ele não. Ficou estressado no dia anterior com algo absolutamente irrelevante e simplesmente vai para o outro lado.
Tem um outro que hoje é mecânico da Bike Joe que costumava andar muito de Bike, conhecido pela alcunha de Peixe. Num período entre o cretáceo e o terciário ele pedalava. Hoje, se falar que vai andar com a turma, é mentira, ponto. O cara tá fortão, virou um baiacu e não sabe nem mais pedalar.
Prá compensar tem o irmão dele que é considerado síndico da Urbanova. Se você já foi a este bairro, certamente já o viu rodando na avenida. Voltas e mais voltas, horas e horas sem fim, na faina insensata de um mountain biker do asfalto. Tem muito em São José dos Campos. Dizem que se ele sair dali é capaz de ter uma síncope e cair fulminado. O esporte tem feito bem para ele 43 e nenhum fio de cabelo branco!
Tem pokemon, digimon, tem até garotas super poderosas!
Tem várias pessoas que costumam derrubar os que estão ao seu lado.
Tem um cara que para no meio da subida para Jambeiro, joga a bike no barranco e sapateia, gritando, “o que é que eu tô fazendo com a minha vida”. Uma espécie de viadagem existencial rápida.
E têm muitos outros. Todos com algum detalhe que os tornam memoráveis.
Mas uma coisa eu posso te garantir: serão estes pequenos detalhes e esses personagens excêntricos, listados ai em cima que farão o seu passeio memorável. Sem contar as besteiras ditas.
Aqui entre nós, memoráveis são aqueles “passeios” em que tive vontade de jogar fora a bike e pegar um ônibus de volta. Se existisse ônibus naquele fim de mundo, eu o faria de bom grado.










