
Sabadão, pedal das três, já sabendo que a gente ia pegar uma chuva, havia pedalado forte passando o Pagador andrade direto rumo à represa. No caminho avisei que ia passar do Bar das Meninas, indo direto para a Pedra. Na Pedra achei que com o horário de verão era uma boa idéia ir nadar na Laje, a praia da represa do outro lado do morro. Subi o morro e fiz um lanche, esperando a galera chegar. Vicente e Kai, expatriado alemão, chegaram logo. Uns quinze minutos depois, com cara de cansados, aportaram Rafael e Guto. Todo mundo afim de tomar um banhão na praia, começamos a descer.
Chega-se a essa praia através de um vale em anfiteatro, com os lados bem íngremes. O single track é antigo, está bem encaixado. Logo no começo da descida existe um arbusto e foi ali que aconteceu. Senti uma picada forte nas costas, entre a mochila e a camisa. Passei a luva por baixo do camelback e senti um monte de abelhas. Eu nem tinha parado, mas quando vi que era abelha e vinham mais, joguei a bike de lado e saí correndo. Ainda escutei o Vicente perguntando Que foi? eEle não estava entendendo nada, o jeito que eu saí correndo e me batendo, e eu gritei Abelha! Abelha!
A melhor coisa que fiz foi sair correndo. Quando a primeira abelha é morta esmagada, o cheiro dela deixa as outras malucas e elas partem para um ataque suicida. Em vez de dar palmadas, o negócio é tentar jogar a abelha para o lado. Mesmo usando todo esse know-how de quem já foi vítima de abelhas africanas na infância ainda tive um prejuízo grande. Tomei seis ferroadas. Duas na testa, duas na mão esquerda e duas nas costas na linha da cintura. Cada uma pior que uma facada, o pior é que a dor continua por várias horas. Muita dor.
Quando eu parei de correr já estava no outro lado do vale, quase chegando de novo em cima. A bike ficou lá onde eu tinha jogado. Falei, Faz uma caridade aí, por favor pega lá minha bike. Resposta, um olhou para cara do outro com cara de eu não. O Vicente, que é um cara virado na trilha teve uma boa idéia. Vamos no palitinho! Nessa hora, Guto, mil horas de praia, lançou: Olha, tem que ser tipo uma missão, vai todo mundo junto, se acontecer alguma coisa um ajuda o outro. Pensei, É, ajuda a correr cada um prum lado. Mas ficou só nisso, foram lá e nem tinha mais abelha nenhuma.
Voltei pedalando mais forte ainda. De raiva. Fazia tempo que não voltava tão rápido. Com a chuvinha que refrescou a pele e por ter suado o veneno, não inchou muito. Só a mão. Nela o que ouve foi que só vi o ferrão, que fica preso injetando a toxina, em cima do morro, os outros tirei passando a mão. Depois que cheguei em casa tomei um banho, fui na farmácia e por conta própria me receitei um Polaramine. Aqui cabe um alerta, mais de 15 picadas, principalmente na cabeça, corra para o pronto-socorro. Tomei o repetab de 12mg e a mão desinchou na hora. Capotei e no outro dia acordei novo.
Só estou contando essa parada por insistência do Guto que afirma que esse é o terceiro episódio com abelhas e mountain bike nesse mês. Fiquei muito puto comigo mesmo por não ter me ligado que havia abelhas, um enxame, por ali. Eu matei a primeira abelha e o enxame se defendeu. Dei uma olhada na internet e o recomendado é correr mesmo. Um humano saudável corre mais rápido que uma abelha. Outra coisa, continue correndo. As danadas me perseguiram por mais de trezentos metros!
É isso aí! Cuidado para não levar ferro! Abraços do ferroado Oton!