No filminho Performance, que é A Equação Unificadora do Ciclismo, o cara fala: "Meu Deus, eu TENHO que conseguir um quadro de carbono".
Meu amigo, fibra de carbono É um verdadeiro fetiche no mundo bike, seja MTB ou speed. O tal do carbono tem aquele visual de tecido, cinza, grafite ou preto.
Nosso amigo Enrico, que estava meio invocado com a tinta vermelho ferrari da sua super Epic, criou um super new look para a sua bike. Agora é a Epic Black, misturando preto fosco com algumas parte envelopadas com adesivo fibra de carbono Di-Noc da 3M.
Usou pintura eletrostática e logos em verniz, além do envelopamento.
É até uma redundância dizer que fomos bem, também com duas feras desse porte, nem tinha como não.
Avisados via lista de email da hora e local da partida de mais esse super pedal Pedalavalle, madrugamos no Vaca Preta. Detalhe, no errado, era no Vaca Preta lá embaixo. Vacilo meu, prontamente corrigido com um telefonema para o Super Coquinho.
Bóia foi o Skipper do pedal, indo na liderança Zen, controlando os mais entusiasmados e ficando de olho para a galera não se perder na frente. Claro, com aquela tradicional agrupada de vez em quando.
Coquinho foi na vassoura, de olho para não deixar ninguém para trás. O bacana é que ele vai na tranquilidade e não fica picanto o chicote nos retardatários. Afinal o pedal informava "para iniciantes que já estão pedalando". Mais uma categoria mountain bike que existe mas eu nunca tinha pensado nela.
Mandaram muito bem no pedal social multi-tribal, todos os níveis de biker MTB. Beeem melhor que "clínica" e com os mesmo efeitos. Afinal, todo mundo sabe que se aprende MTB pedalando junto com gente um pouco mais experiente. Observando, sentindo um passeio de verdade na pele.
Tinha desde um moleque de 12 anos, Matheus filho da Gabi, que por coincidência também tinha parado no Vaca Preta de Cima, até Paulão, cabra casca-grossa dos Bike Brothers. O que desce mais rápido nesse filme aqui.
O pedal tem menos de 40km, mas várias subidas neRvosas. A altimetria sempre conta mais que a kilometragem, principalmente a taxa de ascensão.
Com todo o esforço o pastel no Mercado Municipal da cidade foi providencial. Muito bem temperado pela fome da matar leão! Bati ali um bom papo com um amigo leitor daqui (agora me escapa o nome) & com um pessoal que normalmente a gente só pedala e nunca tem tempo para trocar uma idéia. Enquanto isso eles colocaram para dentro uma coca dois litrão e uns croquete.
Essa interação social é fundamental no MTB. Desmitifica pessoas e lugares. Qualquer um pode ir a qualquer lugar a qualquer hora com qualquer pessoa. Já dizia o Raul Seixas, o Planeta é do Homem.
Calma que não estamos derivando do assunto mountain bike. Vai ser uma coisa meio hermética para quem não conhece o Naruto & ainda muito mais para quem nunca explorou o universo dos mangás épicos.
Acima Naruto está encapetado, possuído por uma raposa de nove caudas. Para nós, acostumados com símbolos como águias, pantheras e cobras, uma raposa parece um bichinho bem singelo. Coisinhas fofas que aparecem e somem as vezes perto de um mato mais fechado. Mas nesse universo, essa raposa de nove caudas é um tipo dum capetão. Um bicho muito foda. É uma maldição na vida do cara & ao mesmo tempo uma benção. Principalmente quando salva a vida dele.
Normalmente em um percurso longo, uma trilha cheia de morros e montanhas, só sabe a diferença quem pedalou neles, eu dizia, normalmente, chega uma hora em que o corpo avisa. "Estou fudido, vou parar". Acontece de várias formas, todas ao mesmo tempo. Nessa hora é preciso muita força interior para continuar. É a hora de soltar a raposa de nove caudas.
Ela toma conta de você, te leva até onde você quer chegar. Mas existe um preço. Tudo tem um preço, menos aquilo que não tem preço. Naruto paga com a degeneração do seu corpo.
No fim do episódio Naruto está todo entubado no hospital da sua vila ninja. Essa utopia ou distopia, dependendo do gosto do freguês, mistura alta tecnologia com encantamentos. Note os incensinhos queimando em torno dele. Santa inquisição na certa, na peninsula ibérica, poucos séculos atrás. (N.A. Aqui eu me fudi (leia o comentário do anônimo) não é o Naruto deitado na maca, é o gordinho Chougi... :p Fui informado que existe outra imagem com o Naruto todo enfaixado, mas para manter a pouca consistência desse texto fica do jeito que está. )
Seu sofrimento consequência do sacrifício feito de forma consciente; forçando seus limites & arriscando a própria destruição para alcançar um Objetivo.
Conversando com um pai, voluntário do staff do Bigbiker, no meio do percurso da prova em Santo Antonio do Pinhal, ele me falava do filho de 15 anos competindo. De como o moleque tinha disposição e ia partir para o podium.
Eu fiquei ensimesmado & ao mesmo tempo admirando o orgulho do pai.
Muita gente conhece e até exerce o MTB através das competições. Como uma extensão do mundo competitivo e cheio de fetiches onde a gente vive. O nosso Universo Real, o nosso Século.
Santo Antônio do Pinhal é parte do complexo de cidades MTB que dão a São José dos Campos o título de Meca do MTB brasileiro; inclusive referendado pela Revista VO2, retuitando-me.
Sexta de tarde, regando a grama, me liga o super Guto confirmando o apoio para a prova no Domingo. "Aí Oton, você tem que ir, você é o único cara que eu conheço que sabe CPR, sabe como é né?". Pensei, puta cara folgado, mas fazer o quê. A gente não recusa pedal. Principalmente um muito louco como esse, uma super subida e no final o ZigZag, a cereja no sunday domingueiro.
"OK brother, domingo sete da manhã na Padaria Esplanada!".
Sábado aquele comichão, não teve jeito, volta da represa básica com a galera local, agora fazendo Santa Branca. Nenê, Marcião Estilingue, Douglas e Carlinhos. Tudo das antigas. Sábado tá saindo as 15:30 da Arvrinha. Fica aí anotado se você ainda não sabe.
O difícil foi achar disposição no domingo. Aquele frio, acordar cinco e meia da manhã. E, poxa, agora vou me abrir em público sobre as dificuldades do apoio psicológico no mountain bike:
"Gutão, você precisa trocar os CDs no seu carro. Ou agita um line-in que eu levo um mp3 cheio de velhas novidades. Mas, porra, Rick Wakeman até rola, mas aquela balada funk/rap francesa, po, ninguém merece! Olha, quer saber, nem rick wakeman, não aguento mais o centro da terra e aquelas paradas lisérgicas lá, de boa!"
A prova foi sossegada. Ainda acompanhei o cara no credenciamento, quando rolou uma situação constrangedora da mina com uma planilha querendo achar meu nome nos inscritos. Eu respondendo, sou o Segurança do Executivo Federal aqui. Apoio móvel. E ela, "Ah entendí". Coitada, não entendeu nada!
Saí na frente para esperar lá na divisão de categorias. Do nada, naquele primeiro top do asfalto, surgiu um maluco sem mochila. "E aí, piratão também?". Eu expliquei que não, que era apoio móvel e que estava me deslocando autosuficiente pelas estradas públicas que compõe o trajeto. Perguntei, "vc conhece o trajeto?". O cara foi me falando que sabia e tal e quase me fez entrar errado. Na marcação da prova, monitorado por um carro da prefeitura, entramos na primeira subida de terra.
Rapaz, foi chegar na subida mais foRte, o cabra estourou a corrente.
Olha meu, agora te peço desculpas em público & do coração porque eu menti. Eu tinha uma chave de corrente, mas, porra, Equipamento Mínimo né?
Fui pensando no desgraçado um tempão, afinal karma na trilha é foda. Mas graças a Deus tudo correu bem.
Na divisão de categoria já tinha esquecido dele. Fiquei um pouco mais acima e esperei um bocado na sombra. Bati dois papos longo com um ciclista que ajudava o staff da prova & depois com um cara que vinha descendo numa barra forte quando começaram a chegar os primeiros da sport.
De São José dos Campos reconheci o Rafael, filho do Fabão e depois o Giulliano & o Juliano. Passou Fabiano e um pouco depois o Guto. A chave dessa prova é essa grande subida, é lá que tudo acontece. Saí tranquilo acompanhando o cara. Confesso que eu tava preocupado porque já tinha passado um monte de mulher e até alguns anciões. Mas ele diz que correu bem.
Na subida, ainda fui meio acompanhando, mas tava devagar e eu caí na besteira de ir acelerando. Na subida passei o Clebão super concentrado. O cara é foda, tava mortinho mas engajou numa conversação! Gostei de ver, ele me disse que a força são dumas pulseirinhas motivacionais, uma espécie de autoajuda em forma de pulseira placebo. Vai vendo!
Um pouco antes do fim da subida estava o Bóia, tranquilo, até trocamos uma idéia. Nessa hora estava bem espalhado, nenhuma novidade até o Zigzag. Fiquei parado ali no primeiro "drop" de verdade. Engraçado que ali muita gente para e desce empurrando. Assim é muuuuito mais difícil. O melhor é bunda para trás do banco e coragem. Se vc posicionar direito seu centro de gravidade, seu junto com a bike, não tem erro. Qualquer coisa desce freado, esquiando, tipo num trenó.
Prova bacana, gente educada, fora um gordinho lá, sem numeral, veio gritando, esquerda, esquerda. Do meu lado um outro cara meio atrapalhado, com numeral, dei prioridade para o maluco credenciado & uma paradinha. Acredite que aí o cara que vinha gritando, num delírio de adrenalina me xingou...
Escutou né?
"Vou te pegar lá embaixo e te encher a cara de porrada cuzão!"
Nossa, fiquei com medo de mim mesmo. Quanta violência, será que eu teria coragem?
Nessa saquei que o Guto já devia ter passado. Bati um papo com um e outro, aqui e ali, e desci de boa. Lá embaixo encontrei o Rick, não o wakeman mas o Martin, novo apelido do Osvaldo Valdolí que agora quer mesmo sair do armário.
É isso aí, junte a galera e vá para Santo Antonio do Pinhal. É aqui no quintal de São José dos Campos, vá como se fosse para Campos do Jordão e pegue o viaduto no meio da serra. Quem sabe no final você sobrevive à descida do famoso Zigzag da foto aí em cima.
Lá acontece esse domingo o famoso Bigbiker 2010, a melhor & mais organizada liga de MTB atualmente no Brasil, tocada pelo nosso amigo Gonga.
Baixe aqui o mapa tunado oficial da prova da categoria Sport para ver no Google Earth.
Nosso amigo Guilherme mandou um artigo técnico de primeira na XRides que a gente aproveita para citar aqui. O artigo está claro e bem escrito, precisa apenas saber um pouco de matemática & física de segundo grau, ou prestar bastante atenção nas figuras.
Ah, e dar um puta desconto porque ele acha que as dowhilleiras são a Fórmula 1 do MTB, quando todo mundo sabe que na verdade é a Fórmula Truck. Pesadas demais! Como os caras estão mais usando a ação da força da gravidade, isso deve ser até vantagem!
A primeira parte descreve a Engenharia utilizada para projetar o quadro de uma bike. Usam um tal de Ansys, que deve ser um desses Nastrans da vida. Otimizadores de design através das análises de tensões e pressões em um sistema dinâmico. Como esse quadro aí em cima. O cara é modesto e tenta se solidarizar com a galera dizendo que não fala essa língua. Elemento finito é português claro, meu caro.
A segunda parte cai na geometria da bike mesmo; os comos e os porquês dos tamanhos de quadros e suas posições relativas. Aulinha bem legal. Pode ter certeza que o cara da loja, o cara bom, tem apenas uma noção instintiva dessa coisa toda. Os nós cegos, ampla maioria, nem sabem para onde isso vai. São capazes até de lhe recomendar um bike fit, talvez insinuando que o problema é esse seu corpo todo torto e não a porra da bike sem vergonha que ele quer lhe vender.
Para fechar com aproveitamento, vacinando contra fetiches de valor: O que importa no MTB é perna, o resto é detalhe.
Folk-lore, conhecimento popular, pessoas folclóricas, de ampla sabedoria.
Nessa linha etno cult lá vai mais essa pedrada em forma de sopa de letrinhas. Marcão Japonês, manda linhas curtas mas belamente lapidadas aumentando mais um pouco esse nosso Brasilzinho Capim com Poeira. Nas palavras da fera:
"Como vc acabara de empreender uma longa viagem (9.000 KMs de carro!!!), presumo que tenhas deparado com coisas diferentes, como por exemplo DENOMINAÇÕES e GIRIAS diferentes das paulistanas, ou, "sanjanas". Como por exemplo, nomes dados a peças e acessorios para bikes. Assim como vc, tambem percebi que aqui, em Porto Seguro-BA, existe um "baianês" proprio para algumas coisas relacio nadas a bikes. No começo sofri um pouco para entender, e até achava engraçado alguns nomes-termos. Para citar al - guns exemplos, por enqto vai isto:
JANTI.............Nome dado ao ARO-RODA de bike. COXIM............ " SELIM. CABECINHA...... " NIPLE de raios. LUIR A ROSCA.. " ESPANAMENTO de uma rosca. GALFO............ " GARFO da bike (eles não conseguem pronunciar o R de jeito nenhum, acham que garfo somente é o que usamos para comer ! MANIVELA...... " PEDIVELA, ou, EIXO-MONOBLOCO
A coisa é tão pitoresca, que dá até para montar um historinha:
".....aí, como luiu a rosca do coxim, a manivela entortou, bati com a janti na préda, entortou o galfo, até tirando a cabeçi nha dos raios !!......"
Tem tbem alguns outros nomes-termos estranhos, como:
" Ah, hoje não vou pedalar não, estou com uma LEZEIRA ! " (Tradução: PREGUIÇA ) " Vixi, cai de bike, fiquei todo LESADO ! (Tradução: MACHUCADO ) " A peça da bike POCOU ! (Tradução: QUEBROU)
E, tudo que o baiano fala, termina com um......FOI ? Ou ainda........E NÃO É ???
E, eu, já fui vitima do baianês (imagina, japones com baiano, o que é que pode dar ??!!), já utilizo alguns termos deles, até perdi o sotaque "caipirez" daí, principalmente com relação ao R, não falo mais pórta, falo PORRRRRTA ! Tambem já - estou falando meio "cantando", começando na nota AGUDA, terminando na nota GRAVE, diferente do Gaucho que come ça no GRAVE, terminando no AGUDO, percebeu ? Ah brazilzão, deitado eternamente em berço esplendido !
Um abração !
PS: Assim que puder, postarei um filminho, mostrando minhas proezas no DIRT-JUMP, apesar de meus 24 aninhos !!!"
HEHEHE,
O janti eu já sabia, é como chamam aro de carro no nordeste tupiniquim. Potiguar para ser mais específico. Nem sei pq.
Muito bom esse texto, posso publicar? Manda uma foto de bike meu!!!
Alguns vão dizer que é demais, que estou colocando mulheres bonitas na capa para alavancar o IBOPE do blog; mas realmente tenho que compartilhar esse super filme da famosa Luli Cox, que ja frequentou essas páginas antes.
Hilário! A menina é engraçada demais, 320 volts o tempo todo. Ei onde é o botão que desliga???
Serve tambem como calaboca para quem acha que a gente não prestigia speedeiro, apesar do forte da moça ser o MTB mesmo!
Pô falando nisso: Flavinho mermão, você de perninha raspada vai ficar uma graça! Ah, e cuidado ali na Urbanova, não seja o primeiro speedeiro a ser atropelado alí! Os playboys tão mandando ver alí naquele asfalto, beware!!! Vai prá trilha brother!
É meu amigo, sente essa foto. Mantendo a tradição de Meca do MTB brasileiro, São José dos Campos mostra que tem MTB para todos os gostos & ILustra essa bela foto do Rodolfo. Ela está no link para o flicker da reportagem da Pulse "Freeride de Primeira em São José".
Isso é quando tudo dá certo, porque quando não dá, já viu né?
Imagina se nosso amigo Nikolaus, aí ao lado meio detonado, estivesse sem seus Equipamentos de Proteção Individual...
Esse mirante na Urbanova é velho conhecido de várias gerações de mountainbikers da cidade. É ótimo ver na ativa novamente.
Além de pico biker é um excelente local para ver o Sol nascer com o skyline de Sanja ao fundo. Tente em uma manhã de inverno com bruma.
Nosso Emissário especial em Ourinhos Hélvio, nos manda um curto relato sobre suas aventuras MTB pela região. Nas palavras dele:
"Estou em Ourinhos trampando desde outubro. Aqui conheci uma galera mountain bike animada que me apresentou algumas trilhas nas fazendas de produção de cana.
As estradinhas internas das fazendas, entre os canaviais, são todas com erosão e areião. Durante a noite fica ainda mais dificil, necessitando um pouco de técnica, como as nossas por ai.
Neste feriado de 21 de abril fiquei por aqui. Junto com meu amigo Julinho, fizemos umas trilhas bem legais. Passamos por: São Pedro do Turvo, Ribeirão do Sul , Salto Grande e Ourinhos.
Em Salto Grande há uma cachoeira escondida nas trilhas. Lá demos uma boa refrescada, pois o sol aqui é bem forte! Outro ponto notável é uma praia na cidade, beirando o rio Paranapanema.
Saudações e breve estaremos de novo trilhando São José dos Campos, Meca do MTB brasileiro!!!"
Rapaziada do MTB neRvoso de Sanja, estou aprumado no rumo da city e teRça já poraí. O Marcão japonês, direto de Porto Seguro, me chamando de preguiçoso e pedindo postagem.
Então sente o drama. Depois de mais de 7000 km de todo tipo de estrada e matos diversos, nosso motorista, são-paulino bambi do coração recebeu nos peitos esse pobre veado. Voôu sobre outro carro que vinha em sentido contrário e arrebentou a cabeça no nosso farol, eu ia na frente e graças a Deus não atingiu o para-brisa.
Pior que quando passamos na volta alguém tinha levado embora, provavelmente acabou em churrasco na chácara de alguém em Tangará...
Primeiro caso registrado de bambi matando bambi, ainda bem que não foi um poRco!!!